domingo, 8 de novembro de 2009

1962 - Voce ainda Não Ouviu Nada! - Sergio Mendes & Bossa Rio

"Topete era o que não faltava a Sérgio Mendes em novembro de 1962. Com apenas 21 anos, ele já tinha gravado um disco e despontava como menino prodígio por tocar jazz e bossa nova de modo bem particular, marcado pela versatilidade. Pianista talentoso e inventivo, ele teria viajado naquele mês de joelhos e com um terço na mão - por causa do medo que tinha de avião - para se apresentar no Carnegie Hall, Nova York, em homenagem à bossa nova. Tocaria ao lado dos grandes nomes do movimento brasileiro: João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e outros. Ao se reunir com os músicos e o organizador do evento, Sidney Frey, Sérgio não se intimidou e anunciou logo: ou ele e seu abririam ou fechariam o show e não acompanhariam ninguém. O show foi pontuado por gafes, mas o grupo de Sérgio ficou com a abertura e fez bonito. Tanto que levou o saxofonistasexteto Bossa Rio Cannonball Adderley a convidá-los para participar do seu disco Cannonball’s Bossa Nova. Dessa experiência resultaria também, pouco depois, um dos discos mais importantes da música brasileira, Você Ainda não Ouviu Nada! Com arranjos de Antônio Carlos Jobim e Moacir Santos, o título do album soava pretensioso. Era, porém, a síntese de uma obra marcante e ainda não devidamente contextualizada, que destacou a efervescência musical de Copacabana no começo de 1960. Naquele momento, a música brasileira dava continuidade a um processo de transformação iniciado seis anos antes, com suas casas noturnas e clubes de jazz. Quase quatro décadas depois, o disco de Sérgio Mendes e Bossa Rio sai pela primeira vez no formato CD, numa luxuosa edição da Dubas que inclui sobrecapa cartonada e encarte bilíngüe com a biografia de todos os músicos do sexteto. Trata-se de uma obra básica no instrumental da bossa nova. Na contracapa, Arino DeMattos Filho o anunciou como o "samba de sempre, mas um samba novo também". São dez faixas, quatro delas clássicos de Tom Jobim em parceria com Vinícius de Moraes ou Newton Mendonça: Ela é Carioca, Desafinado, Corcovado e Garota de Ipanema. A escolha do repertório não foi aleatória. Ao optar por grandes sucessos, Sérgio e sua turma queriam justamente mostrar a nova roupagem que queriam dar, com ênfase para os instrumentos de sopro - saxofone, clarinete e trombone. "A gente representava o lado mais apimentado da bossa nova, enquanto os outros faziam algo mais doce, minimalista, de bandinha", recorda o instrumentista, em entrevista a este jornal, de Los Angeles, por telefone. "Eu sempre gostei do lado instrumental do movimento e expressamos isso no disco." Misto de samba orquestrado com jazz, Você Ainda não Ouviu Nada! parece brincadeira de tocar música, tamanha a espontaneidade e o entrosamento dos solos de sopro e de piano. Desafinado e Ela é Carioca, por exemplo, trazem introduções insuperáveis que revelam todo o seu potencial melódico em versão inesquecível. O álbum, na verdade, foi um casamento raro e ideal de músicos, arranjadores e canções. Daí a sonoridade especial do disco, que sobrevive 40 anos depois, com surpreendente contemporaneidade. O instrumentista levou cinco meses entre reunir músicos, fazer os arranjos e gravar. O sexteto era formado por Sérgio, Tião Neto, conhecido contrabaixista; Edison Machado, baterista e criador do "samba de prato" e da batida no aro das caixas; os trombonistas Raul de Souza e Edson Maciel; o clarinetista argentino Hector Bisignani, (Costita para os íntimos) e o saxofonista Aurino Ferreira. Segundo Sérgio, o papel de Jobim nos arranjos foi muito importante. "Quando ouviu o grupo pela primeira vez, ele ficou bastante impressionado com a sonoridade. Comecei a freqüentar sua casa e passamos a fazer os arranjos juntos." No caso de Moacir, ele havia sido seu professor e aceitara o convite para participar. Sérgio lembra que o disco foi pensado para não parecer com uma jam session - na qual diversos instrumentistas improvisam em seus instrumentos. "Nas faixas, todo mundo tinha seu solinho, mas diferentes do jazz, marcado por solos longos." De acordo com o instrumentista, ele também procurou restringir as versões a pequenos solos para não ficar chato, sem improviso ou malabarismos. "Cada um dá o seu pequeno recado, mas que é importante no conjunto", ele justifica. Em todas as faixas, porém, predomina o uso de dois trombones. Seria, então, um disco de samba-jazz? Sérgio diz que nunca o definiu assim. Ele admite que o jazz estava muito presente - com ênfase para o virtuosismo de Edson Machado -, mas o fundamental era mesmo o samba. O jazz entrou apenas na parte do improviso. Em texto de 1964, Tom Jobim recordou a gravação de Você Ainda não Ouviu Nada! e seus primeiros contatos com a musicalidade de Sérgio Mendes. Jobim contou que passou a admirá-lo como um músico extraordinário por ser, ao mesmo tempo, intuitivo e estudioso de música. "Coisa rara, pois, geralmente, os intuitivos ficam apenas intuitivos e os estudiosos seguem estudiosos." O maestro descreveu a produção do LP como produto de mil noites sem dormir, café e cigarros. "Não sou profeta, mas creio que este disco, produto de muito trabalho e amor, abre novos caminhos no panorama da nossa música." Ao fazer uma obra marcante com apenas 23 anos, Sérgio Mendes se consagrava como um talento precoce para um gênero de música em evidência, com aceitação internacional como nunca acontecera em relação ao Brasil. Para ele, em particular, tinha o sentido da superação de quem teve um infância difícil, marcada por limitações de saúde. Filho de médico, natural de Niterói, Sérgio se viu obrigado a viver com um colete de gesso por causa de uma escoliose. A doença não o atrapalhou em seu aprendizado de piano. Fã de Stan Kenton e do pianista Horace Silver, estudou com Moacir Santos e trocou o clássico pelo jazz. Sobre Sérgio Mendes, Ruy Castro recorda em seu livro Chega de Saudade que contava-se, a família lhe raspava a cabeça quando tirava nota vermelha. Seu pai o educou com dinheiro controlado e como a mesada era curta, montou um trio com o amigo Tião Neto, da mesma cidade, que tocava contrabaixo. O terceiro membro, um baterista, era rotativo. No começo os três animavam bailes com jazz, um ritmo que não costuma despertar interesse dos dançantes. Valsa mesmo só sabiam Lover, de Rodgers e Hart. Mas seu talento de pianista se sobressaiu. Em 1960, começou a participar de canjas de bossa nova e jazz nas matinês de domingo no Little Club, considerado ponto de estréia para jovens e amadores. No Beco das Garrafas, ponto de concentração de bares que tocavam bossa nova, Sérgio montou um sexteto formado por talentos que se destacariam depois: Paulo Moura (sax-alto), Pedro Paulo (trompete), Durval Ferreira (guitarra), Otávio Bailly (contrabaixo) e Dom Um (bateria). Muitos outros grupos seriam formados por ele depois, inclusive três quartetos, num rápido processo de profissionalização que depois o destacaria internacionalmente como híbrido de jazz e música latina. Ambicioso e bem articulado, Sérgio tinha visão internacional e apostou em seu potencial quando se juntou aos maiores nomes da Bossa Nova na tumultuada apresentação no Carnegie Hall, em 1962, no show que serviria de diáspora para o movimento.
Sua aposta no mercado estrangeiro ganhou força no ano seguinte, após o lançamento de Você Ainda não Ouviu Nada! Durante 1963, o Bossa Rio excursionaria pelo Japão e França, agora como trio, com a participação de Nara Leão. A viagem foi patrocinada pela Rhodia. Mas a grande chance para redirecionar a carreira de Sérgio Mendes veio no ano seguinte, quando o Itamarati o convidou para organizar um grupo com o propósito de fazer uma turnê cultural pelo México e Estados Unidos. O instrumentista convidou Jorge Benjor (violão e vocal); Wanda Sá (vocal); Rosinha de Valença (violão); Tião Neto (contrabaixo); e Chico Batera (bateria). Com o fim da excursão, ele convenceu alguns músicos a ficarem na América. Em maio do mesmo ano, gravaria Bossa Nova York, com a participação de Jobim e grandes nomes do jazz como Art Farmer, Phil Woods e Hubert Laws. De modo curioso, Você Ainda não Ouviu Nada! ganhou o limbo da história da música brasileira. Até mesmo alguns dos livros mais profundos sobre a Bossa Nova e Tom Jobim não vão além da mera citação de seu título. Sua proposta também não teve continuidade e se tornou um momento único na discografia de Sérgio Mendes, uma vez que trazia uma série de diferenças em relação ao seu primeiro disco, de 1960, Dance Moderno, lançado pela Philips. Neste, predominava o piano, embora já tivesse Maciel no trombone. O repertório misturava música brasileira e americana: Oba-Lá-Lá (João Gilberto), Love For Sale (Cole Porter), Tristeza de Nós Dois (Maurício - Durval Ferreira - Bebeto), What is This Thing Called Love? (Cole Porter), Olhou Para Mim (Ed Lincoln - Silvio César) e Satin Doll (Duke Ellington), entre outras. O disco com o Bossa Rio, assim, deixou uma expectativa que não se cumpriu. Seu autor se tornaria um dos músicos brasileiros mais celebrados no exterior nas décadas seguintes. Nos EUA, Sérgio formou o conjunto Brazil 66 que gravou discos e fez turnês com muito sucesso. O álbum Herb Alpert Presents Sergio Mendes & Brazil 66 ultrapassaria a marca de um milhão de cópias, com o sucesso Mas Que Nada, de Jorge Benjor - a música chegou aos primeiros lugares das paradas de sucessos norte-americanas. Depois de tocar na Casa Branca, em 1967, Sérgio gravou vários discos, individuais ou com o conjuntos de conceituados músicos brasileiros que montou em diversas ocasiões. Sempre com o feeling de misturar ou combinar bossa nova, jazz e ritmos brasileiros populares. Em 1993 ganhou o prêmio Grammy na categoria World Music.. Continua a ser mais conhecido no exterior do que no Brasil. Ironicamente, seu lendário disco continua com seu título a provocar: Você Ainda não Ouviu Nada! Quem não o conhece, não faz a menor idéia do que está perdendo". Fonte: Gonçalo Junior - Gazeta Mercantil em 16-08-2002.
Curiosidade: Pouca gente sabe, mas durante a época de pobreza do ator Harrison Ford que participou de filmes de mais de 100 milhões de dólares de bilheteria foi carpinteiro de Sergio Mendes.

04 - Desafinado


Faixas:
01 - Ela é Carioca
02 - O Amor Em Paz
03 - Coisa #2
04 - Desafinado
05 - Primitivo
06 - Nanã
07 - Corcovado
08 - Noa Noa
09 - Garota de Ipanema
10 - Neurótico

Músicos :
Sérgio Mendes -Piano
Edison Machado -Bateria
Raul de Souza - Trombone
Edson Maciel - Trombone
Hector Costita -Clarinete
Sebastião Neto - Baixo acústico
Aurino Ferreira - Sax Tenor

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Boa audição - Namastê.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

1962 - Cannonball Bossa Nova & Sexteto Bossa Rio

Na onda da Bossa Nova nos anos 60, Cannonball Bossa Nova apresenta o encontro memorável do saxofonista Cannonball Adderley e o espetacular sexteto Bossa Rio do maestro Sérgio Mendes com a nata da música brasileira, incluindo as lendas Paulo Moura no sax, o propro Sérgio Mendes ao piano, Durval Ferreira na guitarra, o super baterista Dom Um Romão, além de outros grandes músicos. O samba jazz daquela época foi uma coisa bem revolucionária por misturar a música americana e o estilo mais solto do Brasil. A fusão genial do samba brasileiro com o jazz americano deixou profundas marcas na música americana mas infelizmente para nós a coisa não foi tão marcante. Caímos no ostracismo e o que deixou marca apenas ficou na lembrança de alguns músicos pingado. Cannonball's bossa nova foi lançado pelo selo Riverside. No ano seguinte, "Você ainda não ouviu nada",Sérgio Mendes e o seu sexteto foi considerado um clássico da bossa nova instrumental, contou com arranjos de Tom Jobim. Atuando no cenário artístico de 1962 a 1964, Mendes abraçou seu apogeu ao apresenta no Festival de Bossa Nova realizado em 1962 no Carnegie Hall (Nova York, EUA).

03 - Corcovado


Faixas:
01 - Clouds
02 - Minha Saudades
03 - Corcovado
04 - Batida Diferentes
05 - Joyce's Sambas
06 - Groovy Sambas
07 - O Amor Em Paz (Once I Loved)
08 - Sambops
09 - Corcovado (alternate take)
10 - Clouds (single version)

Musicos:
Cannonball Adderley - Sax. Alto
Sérgio Mendes - Piano
Durval Ferreira - Guitarra
Octavio Bailly, Jr. - Baixo Acustico
Dom Um Romão - Bateria
Pedro Paulo - Trompete
Paulo Moura - Sax. Alto

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Filtro Solar

"Senhoras e senhores da turma de 1983 - filtro solar. Nunca deixe de usar filtro solar. Se eu pudesse dar a vocês uma única dica para o futuro, diria:"Usem filtro solar". Os benefícios a longo prazo no uso de filtro solar estão provados e comprovados pela ciência. Já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiencias erante. Mais agora vou compartilhar esses conselhos com vocês. Eis aqui um conselho:desfrute do poder e da beleza de sua juventude.Oh, esqueça!Você só vai compreender o poder e a beleza de sua juventude quando já tiverem desaparecido.Mas acredite em mim:dentro de vinte anos, você olhará suas fotos e compreenderá, de um jeito que não pode compreender agora, quantas oportunidades se abriram e quão fabuloso(a) você realmente era.Você não é tão gordo quanto você imagina.Não se preocupe com o futuro;ou se preocupe, se quiser,mas saiba que se preocupar é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra simplesmente mascando chiclete.Os problemas que realmente têm importância em sua vida são aqueles que nunca passaram por sua cabeça,como aqueles que tomam conta de você quando você não tem nada para fazer.Cante.Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável,e não tolere aqueles que ajam de forma irresponsável com os seus sentimentos.Relaxe.Não perca tempo com a inveja.Algumas vezes você ganha,algumas vezes você perde.A corrida é longa e,no final, você conta apenas consigo mesmo(a).Lembre-se dos elogios que recebe,esqueça os insultos(se conseguir fazer isso, diga-me como).Guarde suas cartas de amor.Jogue fora seus velhos extratos bancários.Alongue-se.Não se sinta culpado senão souber muito bem o que quer ser ou fazer da vida.As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham idéia,aos 22 anos, do que iam fazer na vida;outras, não menos interessantes,mesmo com 40 anos ainda não sabem.Tome bastante cálcio.Seja gentil com seus joelhos,você sentirá falta deles quando não funcionarem mais.Talvez você se case, talvez não.Talvez tenha filhos, talvez não.Talvez se divorcie aos 40,talvez dance uma valsinha quando fizer 75 anos de casamento.O que quer que faça,não se orgulhe e nem se critique demais.Todas as suas escolhas têm 50% de chance de dar certo,assim como as escolhas de todos os demais.Curta seu corpo e use-o de todas as maneiras que puder.Não tenha medo dele ou do que as outras pessoas pensam dele.Seu corpo é o melhor instrumento que você possui.Dance.Mesmo que o único lugar que você tenha para fazer isso seja sua sala de estar.Leia todas as instruções,mesmo que não as siga.Não leia revistas de beleza,elas apenas farão você se sentir feio(a).Saiba entender seus pais.Você nunca saberá quando eles deixarão de viver.Seja amável com seus irmãos.Eles são o seu melhor vínculo com o passado e são aqueles que, muito provavelmente, no futuro,nunca te deixarão na mão.Entenda que os amigos vem e vão,mas que há uns poucos, preciosos,que você deve guardar com carinho.Trabalhe duro para superar distâncias e estilos de vida,pois à medida que você envelhece,mais precisa das pessoas que conheceu na juventude.More um tempo em São Paulo,mas mude-se antes que a cidade transforme você em uma pessoa indiferente.More um tempo no nordeste,mas mude-se antes de tornar-se uma pessoa mole demais.Viaje.Aceite certas verdades eternas: os preços sempre vão subir,os políticos são mulherengos, e você também vai envelhecer. E,quando você envelhecer, vai fantasiar que, quando você era jovem,os preços eram aceitáveis, os políticos tinham almas nobres e as crianças respeitavam os mais velhos.Respeite os mais velhos.Não espere apoio de ninguém.Talvez você tenha um investimento seguro,talvez tenha um cônjuge rico.Mas você nunca sabe quando um ou outro pode te deixar na mão.Não mexa muito com seu cabelo,ou quando você tiver 40 anos, terá a aparência de 85.Tenha cuidado com as pessoas que te dão conselhos,mas seja paciente com elas.Um conselho é uma forma de nostalgia:dar conselhos é uma forma de resgatar o passado da lata de lixo, limpá-lo, esconder as partes feias, reciclá-lo e vendê-lo por um preço maior do que realmente vale.Mas acredite em mim quando me refiro ao filtro solar."




sábado, 31 de outubro de 2009

John Coltrane & Alice Coltrane

John Coltrane & Alice Coltrane,
Van Gelder Studio, Englewood Cliffs, NJ - 1966
Fotografado Por: Chuck Stewart

John William Coltrane (1926-1967)

John Coltrane, Newport Jazz Festival,
Newport, RI - 1960
Fotografado por: William Claxton

John William Coltrane (1926-1967)

John Coltrane, Columbia Recording Studio, New York - 1958.
Fotogrfado por: Don Hunstein

John William Coltrane (1926-1967)

Elvin Jones com John Coltrane em Frankfurt, Alemanha, 1963
Fotografado por: Marfred Leber

John William Coltrane (1926-1967)

John Coltrane e Bob Thiele (produtor) apos um break no
Rudy Van Gelder Reconding, 1960
Fotografado por: Burt Goldblatt

John William Coltrane (1926-1967)

Charlie "Bird" Parker e Dizzy Gillespie no palco do Birdland
com o jovem John Coltrane (sax) e Tommy Potter (baixo).
Fotografado por: Frank Driggs Collection.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Bennett Lester Carter (1907- 2009)

Benny Carter
Fotografado por: Ed Berger's

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A Love Supreme - Lp

Original de colecionador
Lp da primeira tiragem de Fevereira de 1965

2008 - A Man Called Trane - John Coltrane

São tantas apineias sonoras e misturas chamadas de criação de batedores de latas e soluços mugidos que da medo de imaginar o caminho percorridos por lendas como: Lennie Tristano, Glenn Miller, Benny Goodman, Louis Armstrong, Count Basie entre outras lendas imortalizadas, saírem sem intender a difusa manifestação artístico-musical de sua invenção popular e criativa das comunidades negras e seus espaços de desenvolvimento de várias tradições musicais em particular a afro-americana. O jazz tem passado por uma mutação um tanto amargas em sua forma de expressão e criatividades ao longo desse seculo de sua existência que lançamentos como esse deixa uma certeza de ainda vai haver jóias raras guardadas em alguma estante por ai. Lançado em 2008 como uma forte apelo as razies vanguardistas do jazz, A Man Called Trane traz uma lenda chamada Trane - mistura de introdução e legado a poderosa musica desse saxofonista de longas jornadas. Com inspiração de sua passagem pela Blue Note e catálogos da Impulse, este lançamento abrange um cronograma de setembro de 1957 a dezembro de 1964, com performances no Village Vanguard ao Newport Jazz Festival - ao vivo, mergulhando nos álbuns lendários como: Blue Train, Coltrane's Sound , Giant Steps, Coltrane Plays the Blues e My Favorite Things, até deixar uma conclusiva lógica ao movimento de abertura profundamente bonita de sua oração em A Love Supreme. Fantástico a escolha das faixas bem como a produção final que para um bom colecionador de e amante das criações de Trane, nota-se na ordem dos fatos de cada música.


Faixas:
01 - Alabama
02 - Blue Train
03 - Softly As In A Morning Sunrise
04 - Central Park West
05 - Naima
06 - Mr. Day
07 - Giant Steps
08 - My Favorite Things
09 - I Want To Talk About You
10 - A Love Supreme Part 1: Acknowledgement



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Boa audição - Namastê.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

My Funny Valentine

" Mais de mil e duzentas variações de um mesmo tema. Apaixonado pelo clássico do jazz My Funny Valentine, composto em 1937 pelos norte-americanos Richard Rodgers e Lorenz Hart para um musical da Broadway, o cearense Gerardo Barbosa Filho vem colecionando, há 15 anos, todas as gravações dessa música que encontra pela frente. A coleção, que está sendo avaliada pelo Guiness Book of Records, revela um painel surpreendente de linguagens, contextos e artistas - jazzistas como Miles Davis, Chet Baker e Ella Fitzgerald, mas também brasileiros, poloneses, japoneses, suecos, romenos, urbequistaneses, entre outros - que já prestaram seu tributo às “Valentinas”. Várias formas para uma só paixão. Assim pode ser descrita a relação do cearense Gerardo Barbosa Filho com um dos maiores clássicos da canção norte-americana em todos os tempos. Economista e analista de sistemas por formação e trabalho, ele é um aguçado ouvinte e pesquisador musical. Herança recebida do pai, Gerardo Barbosa que foi por 18 anos discotecário da Ceará Rádio Clube a tradicional PRE-9, tendo inclusive prestado diversas contribuições à música cearense, como o disco “Ceará - Terra da Luz”, lançado em 1965 com capa de Aldemir Martins. Gerardo Barbosa foi também proprietário da Vox, célebre loja de discos localizada no Centro de Fortaleza até hoje lembrada por várias gerações. Aficionado por samba, bossa nova, MPB e jazz, Gerardo guarda em seu acervo pessoal uma preciosa coleção de aproximadamente 2 mil vinis e cerca de 1,5 mil CDs. Entre os muitos discos, LPs nunca relançados em digital e mesmo algumas peças de outros formatos, como os velhos compactos e discos de 12 polegadas. “Sempre gostei muito de música, pelo próprio ambiente de casa. Muito pequeno, eu já ia com meu pai na discoteca da PRE-9. Continuei indo mesmo depois de 1955, quando ele saiu de lá para abrir a Vox”, recorda Gerardo Filho, contando que “vivia muito dentro da loja”. “Em época de muito movimento, ajudava a atender as pessoas. E ganhava muitos discos, dos representantes. Daí fui começando meu próprio acervo e também conhecendo as pessoas que faziam música aqui no Ceará”, emenda. Quando foi para São Paulo estudar economia na USP do início dos anos 70, Gerardo conviveu bastante com os artistas que ficariam conhecidos como integrantes do “Pessoal do Ceará”, a ponto de serem dele as fotos dos LPs “Chão Sagrado” de Téti e Rodger Rogério e “Pavão Mysteriozo” de Ednardo. Ele voltou ao Ceará em 1975 a tempo de integrar a primeira turma de Informática na UFC. Hoje, é sócio de uma empresa de consultoria em gestão estratégica com foco em tecnologia da informação. Enquanto o pai tinha uma predileção por Frank Sinatra, amealhando um a um os discos lançados pela voz de olhos azuis o filho procurou manter um maior ecletismo. “Ouvia de tudo, mas principalmente música brasileira, samba, bossa nova, e jazz. O próprio mercado do disco favorecia que você conhecesse mais coisas, e conhecesse melhor o trabalho de cada artista através dos discos originais, diferente de hoje, em que só têm espaço coletâneas e sucessos da hora”, testemunha, com autoridade de quem atravessou vários suportes musicais, do vinil de 12 polegadas ao DVD. A coleção de “Valentinas” teve início em 1990 quando Gerardo, visitando o amigo Marcelo Coelho, foi convidado a ouvir um LP de Chet Baker. “O disco tinha outras músicas, mas foi ‘My Funny Valentine’ que me chamou a atenção de um modo especial naquele instante. Eu já devia ter ouvido essa música antes, sem dúvida, mas sem me causar nenhuma impressão especial. Foi ali que pela primeira vez realmente prestei atenção nela”, rememora. “A melodia em si é muito bonita, junto com a letra, uma coisa meio surrealista. Ainda mais com a interpretação de Chet Baker”, acrescenta, procurando o mais difícil: explicar a paixão. Cada dia é de “Valentine”. Ao verificar seus discos, Gerardo constatou possuir cinco gravações da música, que ele logo reuniu em uma fita-cassete. A partir daí, foi à procura de outras versões, embora ainda sem a intenção deliberada de colecioná-las. “Só ao chegar às 100 primeiras versões parei pra pensar que tinha uma coleção”, diz. “Outro momento marcante foi quando cheguei à 24ª fita - um dia inteiro de ‘My Funny Valentine’”. A compilação foi crescendo graças à obstinação do pesquisador e à ajuda de amigos como Augusto César Costa, Henilton Menezes, Alan Romero, Léo Rocha, Márcio Távora, Lucius Maia, Roberto Barroso e Sérgio de Oliveira a quem Gerardo agradece. “Eles começaram a me mandar gravações. A história se espalhou, e hoje recebo contribuições até de quem nem conheço”, diz. “Às vezes, me mandam gravações repetidas, e não me incomodo nem um pouco. Digo pra mandarem sempre”, brinca. À compra convencional de CDs, o advento da Internet expandiu muito as possibilidades para colecionadores como Gerardo, participante de listas de discussões como a cearense “Desafinado”. “A Internet me possibilitou primeiro comprar CDs, depois acesso a sites especializados em vender CDs com gravações de determinada música e posteriormente a troca de música peça-a-peça. Na época áurea do Napster e do Audiogalaxy, entre outros programas, devo ter conseguido de 400 a 500 gravações”, estima. O resultado desse esforço é que a coleção cedo superou os intérpretes mais previsíveis - jazzistas e cantores norte-americanos -, ganhando cores bem mais diversas, globalizadas. Afinal, o cearense já coletou gravações da Itália, Japão, Alemanha, Rússia, Inglaterra, Islândia, França, Romênia, Urbequistão, Polônia e Suécia. “São músicos de estilos variados. O melhor é que acabei conhecendo grandes artistas, como o cantor Luqman Hanza, a pianista Barbara Carrol (ambos norte-americanos), a Aziza Mustafa Zadeh (urbequistanesa), que hoje tenho outros CDs dela...”, acrescenta o pesquisador. Entre as gravações vocais da canção, todos os artistas mapeados por Gerardo cantam a letra original de “My Funny Valentine” em inglês. A exceção é a saudosa carioca Nara Leão. “É uma versão muito bonita, que em português ficouAdeus no Cais’”, opina o colecionador que hoje contabiliza exatas 1251 gravações. “A coleção está sempre crescendo, até porque novas gravações vão sendo feitas”, destaca. Como diz a canção, “each day is Valentine´s”".

Quero aqui registrar um comentário feito por um companheiro que sempre visita o blog e levantou uma pergunta um tanto curiosa até para mim como colecionador e apreciador de jazz. Na verdade apenas reproduzirei um artigo do jornal - "Diario do Nordeste em 09 de Maio de 2005, por Dalwton Moura) - que responde a pergunta bem como afaga outras pertinentes. Grande Saulo Nunes aquele abraço e fica na paz.






Momento

Apenas um momento e nada mais.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Neon sign Hector's Palace Coffee & Sweets - 1937

Neon sign Hector's Palace Coffee & Sweets,Crosby, Dakota - Novembro de 1937. Fotografado por Russell Lee para a FSA, 35 mm.

small Negro - 1938

Sacada da loja small Negro (Negro pequeno). Jeanerette, Louisiana - Outubro de 1938.

Fotografado por Russell Lee para a Farm Security

National Rice Festival - 1938

Combo de jazz no National Rice Festival, Crowley, Louisiana - Outubro de 1938.
Fotografado por Russell Lee.

Tavern on the South Side - 1941

Combo de jazz no Tavern on the South Side de Chicago, Illinois,Abril de 1941.
Fotografado por Russell Lee.

Lonnie Johnson - South Side de Chicago - 1941

Taverna South Side de Chicago, Illinois - Abril de 1941.
Lonnie Johnson, guitarrista de jazz de vanguarda (esquerda)
Fotografado por Russell Lee.

South Side de Chicago, 1941

Abril de 1941. Tavern on The South Side de Chicago, Illinois.
Fotografado por Russell Lee.

domingo, 4 de outubro de 2009

1957 - Porgy & Bess - Louis Armstrong & Ella Fitzgerald

Em Agosto de 1957, o produtor Norman Granz que já em outras etapas reunido em estúdio Louis Armstrong e Ella Fitzgerald, gravando antológicos álbuns da dupla, voltou a atacar ainda com maior ambição, elegendo como alvo a ópera do compositor nova-iorquino George Gershwin - Porgy e Bess. Com arranjos e direção musical de Russell Garcia e apoiados por uma vasta orquestra dominada pelas seções de cordas, Louis e Ella chamaram a si a totalidade das partes vocais da ópera, cada um acumulando todos os personagens masculinos e femininos. O álbum foi um êxito de vendas mas a crítica olhou como sempre para um lado da direção, valendo apenas mais um álbum na estante das obras não essenciais de Armstrong e Ella. Acontece que o curso da história raramente é linear e muitas vezes, as obras que deixam marcas mais fundas não são as maiores mas as que no tempo e no modo como foram recebidas, assumem um protagonismo que as torna historicamente incontornáveis . Antes de Porgy e Bess, a Jazz Avenue tinha na cabeceira muitas outras gravações de Louis Armstrong e Ella Fitzgerald mas nem por isso desgosta de andar pelas ruas de Gershwin guiado pelas suas vozes. Enquanto se falar de standards do jazz, George Gershwin será sempre um dos apóstolos das Sagradas Escrituras. E a ligação de Porgy e Bess ao jazz passará sempre por duas versões separadas no tempo por apenas um ano: A de Armstrong & Ella concebida em 1957 e Gil Evans e Miles Davis, nascida em 58. Com certeza que Porgy e Bess nunca poderia faltar na celebração do centenário do nascimento de Louis com a promessa de que outras viagens virão e de sua diva maior,Ella, a primeira dama a romper com o preconceito dea ópera no jazz. A dupla produziu jóias de valores inigualáveis como: Ella and Louis (1956), Ella and Louis Again (1957). Todos os três álbuns foram recebido tanto pela crítica como sucesso comercial. Porgy & Bess foi gravado em duas sessões: 18 de Agosto e 19 de Outubro de 1957.

Faixas:
01 - Porgy And Bess: Overture
02 - Summertime
03 - I Wants To Stay Here
04 - My Man’s Gone Now
05 - I Got Plenty O’ Nuttin’
06 - Buzzard Song
07 - Bess You Is My Woman Now
08 - t Ain’t Necessarily So
09 - What You Want Wid Bess?
10 - A Woman Is A Sometime Thing
11 - Oh, Doctor Jesus
12 - Porgy And Bess: Medley: Here Come De Honey Man / Crab Man / Oh, Dey’s So Fresh And Fine
13 - There’s A Boat Dat’s Leavin’ Soon For New York
14 - Bess, Oh Where’s My Bess?
15 - Oh Lawd, I’m On My Way

Músicos:
Louis Armstrong - Trompete & Vocais
Ella Fitzgerald - Voz
Paul Smith - Piano
Alvin Stoller - Bateria

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Boa audição - Namastê.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Nathaniel Adams Coles (1919-1965)

"Minha voz não é algo do que eu possa me orgulhar. Ela atinge, talvez, duas outavas de extensão. Acho que é da rouquidão, do ruído da respiração, que alguns gostam." Nat King Cole, em entrevista ao jornal The Saturday Post, 1954

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Louis Daniel Armstrong (1901-1971)

Louis Armstrong, jazz man trompete, 1953
Fotografado por: Library of Congress Prints and Photographs


Andrzej Barabasz (Chepry)

Waldemar Kurpiński & Tress Jazz band Tygmont Club,
Warsaw, Poland, 24 de maio de 2006
Fotografado por: Andrzej Barabasz (Chepry)


Charles Mingus, Jr. (1922-1979)

Charles Mingus - Lower Manhattan 4 de julho de 1976
Fotografadso por: Tom Marcello Webster, New York, USA

William "Count" Basie (1904-1984)

Count Basie ao piano do filme "Rhythm and Blues Revue" 1955.
Fotografado por: Archive.org

Mahalia Jackson (1911-1972)

Mahalia Jackson, Alemanha em 16 de Abril de 1962
Fotografado por: Carl Van Vechten

Ella Jane Fitzgerald (1917-1996)

Ella Fitzgerald, 19 de Janeiro de 1940
Fotografado por: Carl Van Vechten

John Coltrane - On Green Dolphin Street

domingo, 27 de setembro de 2009

1959 - Time Out - The Dave Brubeck Quartet

"No seu estilo pedante, a crítica de jazz cita 1959 como um annus mirabilis, um ano premiado. Nele foram gravados os álbuns Kind of Blue e Sketches of Spain, de Miles Da­­vis; Mingus Ah Um de Charles Mingus; e Time Out de Dave Brubeck. Todos numa antiga igreja armênia da Rua 30, em Nova York, convertida em estúdio pela Columbia. Uma faixa do álbum de Bru­beck, Take Five, logo fascinou a todos por sua ginga hipnótica e pelo uso arrojado do tempo 5/4. Lançada em single, se tornaria, em 1961 o primeiro disco de jazz a atingir a marca de um milhão de cópias vendidas. Embora Brubeck fosse o cérebro do quarteto e sua autêntica máquina-de-compor, o sucesso veio de onde menos se esperava: de Paul Desmond, o saxofonista improvisador, basicamente um intérprete de material alheio. O autor da façanha era branco e franzino, com óculos de intelectual, e parecia tudo menos um músico de jazz. Pior ainda, teve a infelicidade de tocar sax alto quando o rei do instrumento era Charlie Parker, que todo mundo tentava igualar e não conseguia. O nome também não era nada jazzístico: Paul Emil Breitenfeld, filho de judeu e irlandesa. Mas herdou o DNA musical do pai, organista que tocava em teatro de variedades e cinemas, na época dos filmes mudos. Paul escolheu o sobrenome artístico de Desmond folheando ao acaso uma lista telefônica. Conheceu o pianista Dave Brubeck numa banda militar em 1944 na Europa. Depois da guerra, formaram um pequeno grupo. Com seu humor típico, Desmond lembra: “Eu ainda guinchava a palheta do sax a maior parte do tempo nos agudos e Dave parecia tocar Bartók com a mão direita e Milhaud com a esquerda. Juntos podíamos esvaziar qualquer clube noturno em poucos minutos sem que ninguém tivesse gritado ‘incêndio!’”. Paul Desmond fi­­cou 17 anos no quarteto de Dave Brubeck e escreveu um livro sobre a experiência, How Many of You Are There in the Quartet?, referindo-se à pergunta que invariavelmente as aeromoças faziam: “E quantos são vocês no quarteto?” Certa vez, um crítico de jazz chato (99% o são) perguntou a Paul onde se encaixava entre a abordagem vertical, ou harmônica e a abordagem horizontal ou melódica. Ele respondeu: “Pode me colocar na abordagem diagonal”. Seu humor sutil traía a vocação de escritor, era o que desejava ser. Tempos depois, frequentando o Elaine’s — QG da Intell­igentsia nova-iorquina — descobriu que todos os grandes escritores sonhavam ser músicos de jazz, entre eles Woody Allen, que tocava uma razoável clarineta Dixieland. Com a ironia costumeira, Desmond dizia que a inspiração de Take Five veio de um caça-níquel num cassino de Reno: “O ritmo da máquina me sugeriu o tema e, além do mais, eu precisava dar um jeito de recuperar o dinheiro perdido naquele caça-níquel”. Às vezes, Paul oferecia outra explicação para Take Five. Fumante compulsivo, dizia que concebeu o tema para que durante o longo solo de bateria de Joe Morello, tivesse tempo de dar umas tragadas. Steve Race nas notas de capa do LP original, disseca Take Five: “Cônscio de quão facilmente o ouvinte pode perder o pé num ritmo quíntuplo, Dave toca uma vamp (figura rítmica e harmônica constante) ao longo dos 5m26s, mantendo-a até mesmo durante o solo de bateria de Joe Morello. É interessante notar como Morello se livra gradualmente da rigidez da pulsação 5/4, criando contrafiguras intricadas e frequentemente inesperadas sobre a figura repetitiva do piano. E, contrário a qualquer expectativa normal — talvez até mesmo do pró­­­­­­­­­prio compositor — Take Five realmente suinga”.

Três leis:

1º - O álbum Time Out quase não foi lançado. Chegou às lojas contra a vontade de todos os executivos da Columbia, menos um: o man­­­­da-chuva Goddard Lie­berson, presidente da companhia. Dave Brubeck relembra: “Quebrei três leis da Columbia. Todas as sete faixas eram composições originais, quando a gravadora gostava de entremear com standards. Queria também músicas que fizessem as pessoas dançar e eu lhes dei todos aqueles compassos esquisitos. Botaram um pintura na capa do LP, coisa que nunca se fazia com um disco de jazz. Obviamente, a companhia não queria lançar o álbum”. Sur­­­­­preendentemente os fãs es­­­tavam mais preparados para os compassos extravagantes de Brubeck do que os executivos da indústria fonográfica e não só compraram o álbum, como dançaram ao som dele. Como intérprete Paul Desmond foi um saxofonista cool por excelência. Avesso aos ruídos fisiológicos subjacentes ao instrumento (arquejos, guinchos e sussurros de palhetas, percussão de teclas), sempre tocou longe do microfone, emitindo um som limpo e cristalino e direto da campanha do seu alto. Definia seu som inconfundível com um gracejo: “Eu sempre quis soar como um martini seco”.

2º - Take Five foi tocada muitas vezes pelo quarteto e dezenas de artistas a gravaram, da cantora sueca Monica Zetterlund em 1962 à versão póstuma de King Tubby em 2002. Em 1961, Car­men McRae gravou uma versão com letra composta por Dave e sua mulher, Iola.

3º - Des­­mond morreu aos 52 anos, em 1977, de câncer do pulmão, sem descendentes. Os royalties de suas composições e interpretações foram destinados, se­­­gundo sua vontade para a Cruz Vermelha norte-americana que recebe cerca de cem mil dólares por ano. Take Five representa grande parte desta receita, e continua fazendo a rapaziada dançar ao compasso de 5/4." Fonte: Roberto Muggiati para o aderno - Especial para a Gazeta do Povo, 16/09/2009.


*Todas as faixas foram compostas por Dave Brubeck, com exceção de Take Five de Paul Desmond. O álbum foi gravado ao longo de três sessões sendo a primeira em 25 de junho, a segunda em 01 º de julho e a terceira em 18 de agosto de 1959. Produção de Teo Macero e Fred Plaut como engenheiro de som. Blue Rondo à la Turk é uma versão de Rondo alla Turca da sonata Piano Nº 11 de Mozart.

03 - Take Five



Faixas:
01 - Blue Rondo à la Turk
02 - Strange Meadow Lark
03 - Take Five
04 - Three to Get Ready 4
05 - Kathy's Waltz
06 - Everybody's Jumpin'
07 - Pick Up Sticks

Músicos:
Dave Brubeck - Piano
Paul Desmond - Sax Alto
Eugene Wright - Baixo Acustico
Joe Morello - Bateria

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Boa audição - Namastê.

sábado, 26 de setembro de 2009

Stanley Gayetzky (1927-1991)

Stan Getz & Tommy Potter and Al Birdland, NYC - 1949
Fotografado por: Herman Leonard

Maxwell Lemuel Roach (10/01/1924-16/08/2007)


Max Roach no Mintons Play House, NYC -1949
Fotografado por: Herman Leonard

Thelonious Sphere Monk (10/08/1917-17/02/1982)

Thelonious Monk ao piano no Mintons Playhouse, NYC - 1958
Foto Fotografado por: Herman Leonard

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

1980 - Salsamba - Chet Baker & The Boto Brazilian Quartet

Chet participou de varias gravações tendo o ritmo brasileiro como tema variável de seu álbuns. Em 1966 participa do antológico "Brasil! Brasil! Brasil!" de Bud Skank com João Donato e Laurindo Almeida representado a terra verde amarelo no ginga da bossa nova. Em 1977, gravou com Astrud Weinert (Astrud Gilberto), uma baiana, de Salvador, filha de pai alemão e mãe brasileira, o album “The Girl From Ipanema” (Tom/Vinícius) que além de contar com o clássico do título, traz uma boa seleção de bossa nova com a participação especial de Chet Baker, nos vocais e trompete na faixa "Far Away". Diga de passagem que no medley com a marchinha “Mamãe Eu Quero” e “Chica Chica Boom Chica”, Chet até tentou cantar em português mas passando a bola para Astrud Gilberto, numa versão em ingles de arrasar. Na decada de 80 o gingado trouxe Baker aos ritmos brasileiros novamente no álbum "Chet Baker & The Boto Brazilian Quartet" e "Rique Pantoja & Chet Baker", mais conhecido como Cinema 1 (título da primeira faixa) tendo o primeiro uma pegada mais forte, com um trompete mais agressivo e atingindo notas mais altas que de costume. Chat não tocava muito rápido, nem notas muito altas por conta de um dente perdido, impossibilitando uma embocadura perfeita "Tento extrair do instrumento algo que tenha qualidade e que seja único. Parece que as pessoas só ficam impressionadas por três coisas: se você toca rápido, se toca agudo ou pelo próprio som do instrumento, não pelas notas que você toca." Dizia ele. Em 1985, Chet fez duas apresentações na primeira edição do Free Jazz Festival. A banda era formada pelo pianista brasileiro Rique Pantoja Leite(com quem Chet já havia gravado Chet Baker & The Boto Brasilian Quartet), o baixista Sizão Machado, o batarista americano Bob Wyatt e pelo flautista Nicola Stilo. A primeira apresentação, no Hotel Nacional, no Rio de Janeiro, foi decepcionante, tendo a segunda em São Paulo, tida como um sucesso no marcos do jazz. Depois do espetáculo, já em seu quarto, no Maksoud Plaza, Chet surrupiou a maleta do médico que o acompanhava e tomou doses cavalares das drogas que lhe estavam sendo administradas para controlar as crises de abstinência levando a uma overdose que o quase mata. Neste mesmo ano, iniciou com Rique Pantoja, em Roma, as gravações de Rique Pantoja & Chet Baker ou Cinema 1, que por passar por vários estúdios, terminou em São Paulo, em 1987. O álbum foi um sucesso de crítica. Curiosidade: Richard Galliano de 53 anos é um consagrado acordeonista francês e um anonimo musico no circuíto brasileiro. Chet Baker & The Boto Brazilian Quartet foi gravado nos dias 21 á 23 de Julho de 1980 - Paris, Frances.

05 - Seila


01 - Salsamba
02 - Inaia
03 - Forget Full
04 - Balsa
05 - Seila
06 - Balao
07 - Julinho
08 - Novos Tempos

Chet Baker - Trompete &Voz
Richard Galiano - acordeon
Rique Pantoja Leite - Piano (Acoustic Fender)
Michel Peratout - Baixo
Josê Boto - Bateria e Precursão

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Boa audição - Namastê

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

1963 - Live at Birdland - John Coltrane

Coltrane foi o primeiro artista a assinar com o novo selo Impulse! Records que começou no ano de 1961 e ficaria até o fim de sua carreira. Coltrane estava apto a lançar discos sempre que quisesse (com um mínimo de dois álbuns por ano). Antes de sso, protegido por Miles e crescendo no embrião de novas ideais, Coltrane lança vôo em horizonte diferente para sua época, causando um desconforto entre músicos e amigos ao ponto de Davis despedi-lo do seu quinteto magistral. Abastece sua aspiração com um novo relacionamento com a música bem como o aparecimento de Alice, sua segunda esposa, na criação de um novo estilo. Live at Birdland traduz o amadurecimento inicial de Coltrane após deixar as sombras de Miles. Apesar do título, apenas as três primeiras faixas foram gravadas ao vivo no clube Birdland, o restante são faixas de estúdio. Entre as faixas de estúdio é "Alabama", uma homenagem aos quatro meninos que morreram no bombardeio na 16th Street Baptist Church, no ataque a uma igreja Alabama Birmingham, pela supremacia branca. Um monologo racista que despertou a ira de Trane no conformismo racial. A gravação ao vivo de I Want to Talk About You, uma canção que Coltrane gravou em Soultrane de 58 , desta vez com uma coda estendida, com duração de quase tão longo quanto o resto da canção, perfaz um sopro unificado de seu sax que muitos musicos e admiradores traduzem como impar na carreira de Trane.
Originalmente lançado em 1963 pelo selo Impulse.

Faixas 01.02,03 - gravadas em 08 de Outubro 1963 no At Birdland, New York - NY
Faixas 04,05 - gravado 18 de Novembro 1963 no Van Gelder Studios, Englewood Cliffs - NJ
Faixa 06 - gravada em 06 de Março 1963 no Van Gelder Studios, Englewood Cliffs - NJ

04 - Alabama


Faixas:
01 - Afro Blue
02 - I Want to Talk About You
03 - The Promise
04 - Alabama
05 - Your Lady
06 - Villia

Músicos:
John Coltrane - Sax Tenor & Soprano
McCoy Tyner - Piano
Jimmy Garrison - Baixo Acustico
Elvin Jones - Bateria

Download Hre - Click Aqui
Boa audição - Namastê.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Momento Coltrene








sábado, 19 de setembro de 2009

2007 - Duet - Chick Corea & Hiromi Uehara

Armando Anthony (Chick Corea - Chelsea, 12 de junho de 1941). Pianista, tecladista e compositor bastante conhecido por trabalhos influenciadores na década de 1970 no gênero denominado jazz fusion, apesar de ter contribuições significativas para o jazz tradicional.
Participou na criação do movimento electric fusion como membro da banda de Miles Davis na década de 1960 e passando pelo no anos 1970, integrando o grupo Return to Forever com inovação e criatividade. Entre os pianistas de jazz, Corea é considerado um dos mais influentes, desde Bill Evans (junto com Herbie Hancock, McCoy Tyner e Keith Jarrett) brem como nova geração. Durante 1996-1997, Corea fez parte de um quinteto (que incluía Kenny Garrett e Wallace Roney) tocando versões atualizadas de composições de Bud Powell e Thelonious Monk. Suas discografia é básica para apreciadores de piano no jazz. Hiromi Uehara (26 de Março de 1979). Pianista e compositora, sua técnica impressionante, estilo único e energia contagiante são imagens de marca que a distinguem. As suas composições englobam um variado grupo de estilos musicais como jazz, rock progressivo, fusion e até clássico. Por este motivo é difícil dar um nome ao seu estilo musical. Duet!!!!. O resultado supera o que eu imaginava... Não vou nem me atrever a comentar, apenas vou sugerir a experiência de ouví-lo com um bom fone de ouvido para perceber com clareza o diálogo destes dois anormais e espetacular pianistas onde o mestre Corea conduz e generosamente abri espaço prá Hirome arrasar nos seus improvisos.Ambos se alternam e por vezes até se juntam no papel de protagonistas, improvisando e produzindo melodias inimagináveis sobre harmonias igualmente excelentes. Uma excelente pedida. imperdívellllllll.

Disc: I
01 - Very Early
02 - How Insensitive
03 - Déja Vu
04 - Fool on the Hill
05 - Humpty Dumpty
06 - Bolivar Blues





Download Here - Click Aqui CD I

Disc: II
01 - Windows
02 - Old Castle
03 - Summertime
04 - Place To Be
05 - Do Mo -Children's Song #12
06 - Concierto de Aranjuez/Spain




Downloa Here - Click Aqui CD2

Músicos:
Chick Corea - Piano
Hiromi Uehara - Piano

Gravado no live at The Tokyo Blue Note, Setembro - 2007
Boa audição - Namastê.

sábado, 12 de setembro de 2009

1963 - Iron Man - Eric Dolphy

Iron Man é tão essênciais na discografia de um colecionador que estabelece um ambiente mais consistente no gênero tocado por Eric Dolphy ente outras criação do músico. Mais claro ainda, Iron Man antecipa a execução e deixa uma pintura abstrata ao que é digna de ser comparada a maior obra-prima de Dolphy - Out to Lunch. Faixas com Iron Man, Burning Spear e a mais curta, Mandrake, têm temas bastante aflorados, cheio de marca de amplo intervalo em saltos e sentido lúdico da dissonância. Não há uma estrutura suficiente no balanço fortificado para fazer as suas raízes no hard bop ser perfeitamente clara, uma vez que que o front-chifres de linha explode os temas, deixando uma mudança em um conjunto mais cerebral no modo exploratório. Nomes como : Prince Lasha, Bobby Hutcherson, Richard Davis, J.C. Moses, engrossa o caldo, delineando harmonia dissonantes no ar, ancorando espectralmente o resto do grupo. Os duetos de Dolphy com o baixista Richard Davis, o dobro do tempo presente - no clarinete baixo para "Come Sunday" e na flauta em "Ode To C.P.", são lindas, cheia de pedaços de meditação, conversas entre os dois músicos, ilustrando o comprimento de onda semelhante entre eles. Iron Man divide a maneira como Dolphy toca, cria e interpreta suas notas, pairando uma ligeira presença no tempo a sua apresentação, com coesão clássica em qualquer forma e constituem alguns dos trabalhos mais brilhantes do início da carreira deste músico invejável na historia do jazz. Um autêntico trabalho e uma leitura sinora de tirar o folego. Gravado nos dias 01 e 04 de Julho de 1963 para o Selo Douglas International SD 755 e produção de Alan Douglas.

Iron Man

Faixas:
01 - Iron Man
02 - Mandrake
03 - Come Sunday
04 - Burning Spear
05 - Ode To C.P. (Byard)

Músicos:
Eric Dolphy - Sax. Alto, Clarinete & Flauta
Eddie Kahn - Baixo acústico (Iron Man)
Richard Davis - Baixo acústico
J.C. Moses - Bateria
Prince Lasha - Flauta
Huey Simons - Sax. Alto
Clifford Jordan - Sax. Soprano
Woody Shaw - Trompete
Bobby Hutcherson - Vibrafone

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Boa audição - Namastê.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

1992 - Citi Movement - Wynton Marsalis Septet

Conhecido pela seriedade ao tratar a música com maestria e pelo alto nível de conhecimento da história do jazz, Wynton Learson Marsalis ganhou respeito e consideração dos maiores músicos da atualidade. Muito criticado pelo seu extremismo purista em relação ao rumo que muitos músicos de jazz, inclusive seu maior ídolo, Miles Davis, estavam tomando nos anos 80, com a mistura do jazz com outros ritmos, como o rock, o hip-hop e a música eletrônica, dando início ao jazz fusion. Diretor do Jazz At Lincoln Center em NY, é considerado "embaixador da música americana" pelo seu profundo respeito e divulgação das tradições musicais. Tocou com grandes nomes do jazz e e outros, tem uma vasta discografia tanto como lider ou sideman de outros músicos. O texto abaixo foi tirado do encarte do CD: Citi Movement:
“Citi Movement was written by Wynton Marsalis for Griot New York, a modern ballet choreographed by Garth Fagan. Its premier performance at the Brooklin Academy of Music in 1991 was received by cheering audiences and drew praising rewiews. With this recording the music stands quite tall alone and now does its own dances. The three-part composition uses jazz to render the feeling of a city, the waves and wages of history, and the emotional references connected to styles and rythmic grooves. In keeping with the leasury, sequestered situations in wich jazz composers do their work, free of intrusians from the external world, this extended piece was written in a month, while the Marsalis band was on the road, performing every night and giving master classes in the daytime. Herb Harris was playing soprano anda tenor saxophones while Citi Movement was composed: ‘It was crazy. Amazing. We were working all these gigs and Wynton was giving this talks and instructions to students musicians during the day, running to get some food before the concert anda going into this room every night to compose. It shocked all of us. With all he had to do, you wouldn´t have expected him to come up with this kind of music. But there it is’.

Não estou exagerando quando afirmo que se trata de um dos melhores cds de jazz que já tive a oportunidade de ouvir. Se fosse para escolher uma faixa com certeza ficaria com a última do primeiro CD, “Spring Yaoundé”, que traz Eric Reed ao piano e o próprio Marsalis num dueto de arrepiar…

Músicos:
Wynton Marsalis - Trumpete
Todd Williams - Sax.Tenor & Soprano
Wes Anderson - Sax. Alto
Wycliffe Gordon - Trombone
Reginald Veal - Baixo
Herlin Riley - Bateria
Eric Reed - Piano
Herb Harris - Sax. Tenor (“I see the Light (Instrumental & “Curtain Call)
Marthaniel Roberts - Piano (“Marthaniel”, “The End”, “Swingdown, Swintown” & “Curtan Call”)



Faixas:
CD 1
01 - Hustle Bustle
02 - City Beat
03 - Daylight Dinosaurs
04 - Down The Avenue
05 - Stop And Go
06 - Nightlife-Highlife (Yas, Yas)
07 - How Long?
08 - I See The Light (Vocal Version)
09 - I See The Light (Instrumental Version)
10 - Duway Dialogue
11 - Dark Heart Beat
12 - Cross Court Capers
13 - Bayou Baroque
14 - Marthaniel
15 - Spring Yaoundé

Download Here - Click Aqui CD1

CD 2
01 - The End
02 - The Legend Of Buddy Bolden
03 - Swingdown, Swingtown
04- Highrise Riff
05 - Modern Vistas (As Far As The Eye Can See)
06 - Curtain Call

Download Here - Click Aqui CD2

Boa audição - Namastê.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Interlúdio: Making of Kind of Blue 50th Anniversary Collectors Edition

Interlúdio: Making of Kind of Blue 50th Anniversary Collectors Edition

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

1987 - Compact Jazz - Astrud Gilberto

Astrud Gilberto ou nada mais ou nada menos Astrud Evangelina Weinert, (Salvador, 29 de março de 1940) se consolidou como cantora brasileira de samba e bossa nova de fama internacional de negável conceito. Nascida na Bahia e filha de mãe brasileira e de pai alemão, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1947 apos uma longa jornada de idas e vindas em pequenas cidades. Astrud casou-se com o músico João Gilberto em 1959 e mudou-se para os Estados Unidos em 1963, ano em que participou do álbum Getz/Gilberto juntamente de seu marido, do músico Stan Getz e do também brasileiro Tom Jobim. Astrud, que nunca havia cantado profissionalmente antes participou das gravações por convite de seu marido, e durante as subsequentes apresentações descobriu que sofria de medo de palco. Astrud e João divorciaram-se em 1964 em meios a discussões e sombras de conflitos extra-conjugais. João Gilberto retornou ao Brasil, mas Astrud Gilberto continua residindo nos Estados Unidos. O sucesso do trabalho de Astrud Gilberto na canção The Girl from Ipanema tornou-a um nome proeminente na música do jazz e logo começou a fazer gravações solo. Embora Astrud tenha começado como intérprete de bossa nova brasileira e jazz americano, passou também a gravar composições próprias na década de 1970. A canção "Astrud" , interpretada pela cantora polaca Basia é um tributo a esta diva. Astrud Gilberto recebeu o prêmio Latin Jazz USA Award for Lifetime Achievement em 1992 e foi incluída no International Latin Music Hall of Fame em 2002. A cantora também tornou-se conhecida pelo seu trabalho como artista pintora, assim como pelo apoio e contribuição que tem dado a proteção dos animais. Compact Jazz é uma salada que vale apena ouvir o melhor da Bossa na voz desta diva que deixa em muito ò orgulho de ser Brasileiro.

01 - The Girl From Ipanema


Faixas:
01 - The Girl From Ipanema
02 - Agua De Beber
03 - Once I Loved
04 - Goodbye Sadness (Tristeza)
05 - Meditation
06 - Berimbau
07 - It Might As Well Be Spring
08 - O Morro (Nao Tem Vez)
09 - Summer Samba ( So Nice)
10 - Corcovado (Quiet Nights)
11 - Dindi
12 - Take Me To Aruanda
13 - Felicidade
14 - Only Trust Your Heart
15 - Beach Samba
16 - How Insensitive

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Boa audição - Namastê.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

1964 - Last Date - Eric Dolphy

O saxofonista, flautista e clarinetista Eric Allan Dolphy (Los Angeles, California, 20 de Junho de 1928 – Berlim, 29 de Junho de 1964) ou simplesmente Eric Dolphy teve uma carreira breve, mas bastante intensa. Dolphy gravou com músicos de primeira linha como Ornette Coleman, Charles Mingus e John Coltrane, bem como entre outros, deixando seu nome associado à história do free jazz, um embrião formado nas raizes do bebop, cool e seguimentado em fraseados de pouca logica. No ano de 1964 excursionou com Mingus na Europa onde tocou e gravou com diversos músicos. Bandleader, Composer e Sideman, Dolphy tocava saxofone alto, flauta e clarone e o primeiro claronista a dar dimensão jazzística como solista no jazz, além de ser um dos flautistas mais significantes nesse estilo. Em todos esses instrumentos era um impecável improvisador, chegando a mergulhar na latente de um impossivel movimento de notas. Seu estilo de improvisação era característico por uma torrente de idéias, utilizando amplos saltos intervalares e abusando das doze notas da escala. Em suas primeiras gravações, tocou ocasionalmente um clarinete soprano tradicional em Si bemol. Além disso, era comum que usasse efeitos sugerindo sons de animais. Embora o trabalho de Dolphy seja às vezes classificado como free jazz, suas composições e solos possuem uma lógica diferente da maior parte dos músicos de free jazz. Depois doálbum Out to Lunch e uma aparição no Point of Departure do músico Andrew Hill, Dolphy deixou de excursionar pela Europa com o sexteto de Charles Mingus no início de 1964. A partir daí a intenção de fixar-se na Europa com sua noiva, que trabalhava com ballet em Paris se tornou uma necessidade. Depois de deixar Mingus, tocou e gravou com várias bandas européias e se preparava para juntar-se a Albert Ayler para uma gravação. Na tarde de 18 de Junho de 1964, Dolphy caiu nas ruas de Berlim e foi levado a um hospital. Os enfermeiros que não sabiam que ele era diabético e diagnosticado como overdose (como acontecia a muitos jazzistas) deixaram num leito até que se passasse o efeito das "drogas". Uma das notas da coleção de nove discos da Prestige relata que ele "caiu em seu quarto de hotel e foi levado ao hospital, onde foi diagnosticado um Coma diabético. Após a administração de insulina (aparentemente um tipo mais forte do que o disponível nos Estados Unidos), passando à hipoglicemia extrema e morreu". Era, todavia, indubitavelmente um vanguardista. Logo após sua morte, sua música era descrita como "demasiado 'out' para ser 'in' e demasiado 'in' para ser 'out'". Last Date traz o registro de um dos últimos momentos de Dolphy- um show realizado em 02 de junho de 1964 na Holanda, no qual ele é acompanhado por músicos europeus. Excelente show e qualidade de gravação.

Faixas:
01 - Epistrophy
02 - South Street Exit
03 - The Madrig Speaks, The Panther Walks
04 - Hypochristmutreefuzz
05 - You Don't Know What Love Is
06 - Miss Ann

Músicos:
Eric Dolphy - Sax. Alto,Flauta & Clarinete Base
Misja Mengelberg - Piano
Jacques Shols - Baixo Acustico
Han Bennink - Bateria

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Boa audição - Namastê.

Eric Allan Dolphy (1928-1964)

Eric Dolphy and the Misha Mengelberg Trio
at the VARA studio in Hilversum ( 2nd of June, 1964)
Fotografado por: Al next.

Eric Allan Dolphy (1928-1964)

Eric Dolphy e John Coltrane - 1961
The Village Vanguard
Fotografado Por: Herb Snitzer

terça-feira, 25 de agosto de 2009

1963 - John Coltrane and Johnny Hartman

O cantor de jazz John Maurice Hartman nasceu no 3 de julho de 1923 em Chicago e embora não tenha recebido em vida o devido reconhecimento, foi um dos maiores e mais suaves cantores negros de baladas dos anos 50 e 60 que foi comparado a cantores de primeira linha com Billy Eckstine e Nat King Cool. Johnny também se notabilizou por suas parcerias em gravações que se tornaram antológicas como a obra-prima que é o registro do encontro em estúdio em 1963 com o saxofonista e jazz mam John Coltrane. Hartman começou a cantar ainda no exercito, estudou musica na faculdade e forjou sua carreira profissional a partir do meado dos anos quarenta cantando com a banda de Earl Hines, quando também gravou seu primeiro trabalho. Quando abanda se desfez em 1947 foi cantar no Orquestra de Dizzy Gillespie e com ele ficou por dois anos, aproveitando para gravar por fora alguns discos solos. Seu primeiro trabalho que trouxe sucesso foi o LP “Songs from the Heart” (Savoy Jazz, 1947) com um quarteto liderado pelo trompetista Howard McGhee. Gravou também um álbum que consta entre os seus melhores, “All of Me” (Bethlehem, 1956), ficou sem gravar até 1963, quando então gravou com John Coltrane "John Coltrane and Johnny Hartman" (Impulse!, 1963). O sucesso do disco levou a gravação de mais dois discos “Lush Life” em homenagem à Billy Strayhorn, “I Just Dropped by To Say Hello” I Just Dropped By to Say Hello (Impulse!, 1963) e “The Voice That Is” The Voice That Is! (Impulse!, 1964). Johnny voltou aos estúdios de gravação esporadicamente nos anos 70. Dois anos antes de sua morte em Nova Iorque no dia 15 de Setembro de 1983, foi indicado para o Grammy pelo álbum “Once in Every Life” Once In Every Life (Bee Hive, 1980). Gravado no Englewood Van Gelder Studio - Cliffs, New Jersey em 07 de Março de 1963 nas mão do próprio Mr. Van Gelder.

01 - They Say It's Wonderful


Faixas:
01 - They Say It's Wonderful
02 - Dedicated To You
03 - My One and Only Love
04 - Lush Life
05 - You Are Too Beautiful
06 - Autumn Serenade

Músicos:
John Coltrane - Sax. Tenor
Johnny Hartman - Vocais
McCoy Tyner - Piano
Jimmy Garrison - Baixo acústico
Elvin Jones - Bateria

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Boa audição - Namastê.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

1997 - The complete Blue Note recordings - Herbie Nichols

Sem sombra de duvida, uma das questões que mais tem deixado vários jazzófilo de boca aberta é o fato de ter músicos desconhecido ainda pelas estradas arteriais do jazz. Músicos de de extraordinária envergadura, bem como de respaldo a outros talentos conhecidos e obras seladas no tempo, com maestrias que só depois de uma boa olhada, nota-se com surpresa o surgimento de um novo nome na prateleira de muitos colecionadores. O pianista e compositor Herbert Horatio Nichols ou mais conhecido como Herbie Nichols (03-01-1919/12-04-1963), só passou a ser um capítulo especial na história do jazz muito tempo depois de sua morte de leucemia em 1963, quando tinha exatos 44 anos. A não ser o pessoal da Blue Note (Alfred Lion, Rudy Van Gelder), músicos como (Art Blakey, Max Roach, os baixistas Al McKibbon e Teddy Kotick) e alguns insider s, quase ninguém notou a falta de Nichols da cena jazzística, apesar de uma prolífica obra como compositor. Herbie Nichols era um músico diferente e obscuro, numa época em que pianistas como Marian McPartland (um ano mais moça do que ele), Hank Jones (um ano mais velho) e Dave Brubeck, já eram bem conhecidos. Brubeck tinha até sido capa da revista Time, em 1954. Trinta das composições de Herbie Nichols, por ele gravadas em trios, com alternate takes, foram reeditadas em 1997, na caixa de três CDs intitulada The complete Blue Note recordings. Muitos dos títulos dessas peças eram tão excêntricos para os anos 50 como a música que continham: Cro-Magnon nights, Amoeba's dance, Riff primitif. Os vanguardistas Roswell Rudd (trombone) e Steve Lacy (sax soprano) fizeram, nos anos 80, algumas escavações na obra de Nichols. Mas foram o pianista Frank Kimbrough e o baixista Ben Allison, integrantes do grupo Jazz Composers Collective, os grandes responsáveis pela revelação quase total do tesouro semi-aberto deixado pelo nova-iorquino Herbert Horatio Nichols. Como explicam Kimbrough e Allison - "O Herbie Nichols Project é uma work in progress". Com a formação em 1992, do Jazz Composers Collective (outros sócios importantes são os saxofonistas Ted Nash e Michael Blake, o trompetista Ron Horton e o baterista Matt Wilson), o projeto já gerou três discos: Love is proximity (Soul Note) de 1997, Dr. Cyclops' dream (Soul Note) de 1999 e Strange city (Palmetto) 2001, um dos mais atraentes álbuns de jazz lançados neste início de década. Strange city - a faixa-título do disco da Palmetto - é uma das cerca de 30 peças que Nichols nunca tinha gravado, e cujas partituras foram descobertas por Allison, Kimbrough e Horton na Biblioteca do Congresso. Com exceção de Shuffle Montgomery, as outras composições do CD eram também inéditas: Moments magical, Enrapture, Delights, Blue shout, Karna Kangi, The happenings, Change of season e Some wandering bushmen. As peças são arranjadas em formações diversas, reunindo Allison, Kimbrough, Horton, Ted Nash (sax tenor), Michael Blake (sax soprano), Wycliffe Gordon (trombone) e Matt Wilson (bateria). As composições de Nichols não eram apenas inspirados temas de sabor bop e dissonâncias monkianas. Eram desenvolvidas de modo bem estruturado, embora de simetria variável, fora dos padrões estabelecidos pela fórmula AABA - duas vezes o tema-base, ponte (bridge) e volta ao tema-base. Nas notas de contracapa que escreveu para um do LPs da Blue Note, o próprio Nichols falou de sua admiração por gente tão diferente como Jelly Roll Morton, Beethoven e Villa-Lobos. E acrescentou: ''Estou numa corrida constante para conciliar minhas 'teorias clássicas' e minhas 'teorias jazzísticas'''. Recentemente o guitarrista Eric T. Johnson (nada a ver com o homônimo texano especialista em blues) apareceu na praça com um CD, editado pela Summit, em que interpreta dez composições de Herbie Nichols, à frente de um quinteto com o saxofonista George Garzone e o trompetista Phil Grenadier. Entre as faixas, Love, gloom, cash, love (que Nichols gravou para a Bethlehem), Shuffle Montgomery e Lady sings the blues. Noventa anos depois de ter nascido e Quarenta e Cinco depois de sua morte, Herbie Nichols é cada vez mais reconhecido como um dos grandes inventores do jazz moderno.
Fonte: Luiz Orlando Carneiro JB Online.


Disco I
01 - Third World, The
02 - Third World, The - (alternate take)
03 - Step Tempest
04 - Dance Line
05 - Blue Chopsticks
06 - Double Exposure - (alternate take)
07 - Double Exposure
08 - Cro-Magnon Nights
09 - Cro-Magnon Nights - (alternate take)
10 - It Didn't Happen - (alternate take)
11 - Amoeba's Dance
12 - Brass Rings - (alternate take)
13 - Brass Rings
14 - 2300 Skiddoo - (alternate take)
15 2300 Skiddoo

Disco II
01 - Shuffle Montgomery - (alternate take)
02 - It Didn't Happen
03 - Crisp Day
04 - Shuffle Montgomery
05 - Gig, The
06 - Applejackin' - (alternate version)
07 - Hangover Triangle
08 - Lady Sings The Blues
09 - Chit Chatting
10 - House Party Starting
11 - Gig, The - (alternate take)
12 - Furthermore - (alternate take 1)
13 - Furthermore
14 - 117th Street - (alternate take)
15 - 117th Street
16 - Sunday Stroll

Disco III
01 - Nick At T's
02 - Furthermore - (alternate take 2)
03 - Terpsichore
04 - Orse At Safari
05 - Applejackin' - (alternate take)
06 - Applejackin'
07 - Wildflower
08 - Mine - (alternate take)
09 - Mine
10 - Trio
11 - Trio - (alternate take)
12 - Spinning Song, The - (alternate take)
13 - Spinning Song, The
14 - Riff Primitif
15 - Riff Primitif - (alternate take)
16 - Query - (alternate take)
17 - Query

Músicos:
Herbie Nichols - Piano
Al McKibbon, Teddy Kotick - Baixo Acustico
Art Blakey, Max Roach - Bateria

Download Here - Click Aqui Disco I
Download Here - Click Aqui Disco II
Download Here - Click Aqui Disco III
Boa audição - Namastê.


quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O homem do tanque de Tiananmen - 1989


Também conhecido como o “Rebelde Desconhecido”, esta foi a alcunha que foi atribuído a um jovem anônimo que se tornou internacionalmente famoso ao ser gravado e fotografado em pé em frente a uma linha de vários tanques durante a revolta da Praça de Tiananmen de 1989 na República Popular Chinesa. A foto foi tirada por Jeff Widener (fotógrafo, jornalista) do sexto andar do Hotel Pequim, a pouco mais de 800 metros de distância, com máquina fotográfica de lentes 400 milímetros. Na mesma noite foi capa de centenas de jornais, noticiários e revistas de todo mundo. O jovem estudante (certamente morto horas depois) interpôs se a duas linhas de tanques que tentavam avançar. No ocidente as imagens do rebelde foram apresentadas como um símbolo do movimento democrático Chinês: um jovem arriscando a vida para opor-se a um esquadrão militar. Na China, a imagem foi usada pelo governo como símbolo do cuidado dos soldados do Exército Popular de Libertação para proteger o povo chinês: apesar das ordens de avançar, o condutor do tanque recusou fazê-lo se isso implicava causar algum dano a um cidadão. Pelo trabalho, foi posteriormente indicado ao Prêmio Pulitzer 1990 por "Spot News Photography", e ganhou vários outros no decorrer dos anos.

Boa leitura - Namastê.

sábado, 8 de agosto de 2009

1994 - A Tribute To Miles - Herbie Hancock

Miles Davis desenvolveu grandes trabalhos à partir de grandes sessões dentro do estúdio, elaborando peças musicais, estruturas intrincadas e uma vasta base para seus maravilhosos solos, com direito a experimentar alguns efeitos no trompete e total liberdade para os músicos imprimirem suas marcas e identidades à sua música. Após sua fase acústica, abriu novas possibilidades para o jazz quando decidiu eletrificar sua música e experimentar novos formatos de arranjo e composição, mudando para sempre a história da música contemporânea. De versatilidade à gênio de criação, suas obras contrapôs um novo hemisfério na pauta do jazz contribuindo com a unificação de gêneros como o rock, funk, hip hop e outras tendencias. Tributos atribuídos a lendas de um espaço ocupado nem sempre traz efeitos satisfatório se comparada as composições oferecidas com solidariedade póstuma na carreira de um musico. A Tribute to Miles é uma homenagem de Herbie Hancock, Wayne Shorter, Tony Williams, Ron Carter e Wallace Roney ao então falecimento de Miles Davis no dia 28 de Setembro de 1991 depois de um AVC, pneumonia e insuficiência respiratória - Santa Mônica, Califórnia com 65 anos, enterrado no Woodlawn Cemetery, no Bronx, Nova Iorque. Ganhou o um prêmio Grammy de Melhor Performance Instrumental Jazz .

Faixas:
01 - So What (Live)
02 - RJ
03 - Little One
04 - Pinocchio
05 - Elegy
06 - Eighty One
07 - All Blues (Live)

Musicos:
Herbie Hancock - Piano & Calliope (Pequeno orgão)
Wayne Shorter - Sax. Tenor &Sax. Soprano
Wallace Roney - Trompete
Ron Carter - Baixo Acustico
Tony Williams - Bateria

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Boa audição - Namastê.

Carl Van Vechten (1880-1964)

1946-1956, postais enviados por Carl Van Vechten
à milhares de seu amigo.

Billie Holiday (1915-1959)

Billie Holiday, 23 Março - 1949
Fotografado por: Carl Van Vechten

Billie Holiday (1915-1959)

Billie Holiday com o seu cão, Mister.
Museu da Cidade de Nova Iorque, Teatro Colecção
Fotografado por: Carl Van Vechten

Billie Holiday (1915-1959)


Billie Holiday, NYC (Cozinhando para seu Cão) - 1949
Fotogradafo por: Herman Leonard

Edward Kennedy "Duke" Ellington (1899-1974)


Duke Ellington, Paris (Sapatos) - 1958)
Fotografado por: Herman Leonard

Ella Jane Fitzgerald (1917-1996)

Ella Fitzgerald, NYC - 1949
Fotografado por: Herman Leonard

Miles Dewey Davis Jr (1926-1991)

Miles Dewey Davis Jr Miles Davis, Montreux (Pintando) - 1991
Fotografado por: Herman Leonard

Stanley Newcomb Kenton (1911-1979)

Stan Kenton, Atlanta (Sapatos) - 1950
Fotografado por: Herman Leonard

quinta-feira, 30 de julho de 2009

1986 - Cool Cat - Chet Baker

Na década de 1980, Chet cantava muito durante suas performances principalmente para o seu descanso entre os solos de seu trompete, pois já apresentava uma ligeira falta de ar que o deixava desnorteado. Na verdade Chet realmente não gosto de cantar. Dizia que começou a cantar por pesão dos empresários e as diretrizes das gravadoras por onde passou. Às vezes a sua voz era tão macia que aumentamos o volume apenas ouvi-lo. Mais uma vez, Chet tem-se rodeado de excelentes músicos, particularmente o grande Harold Danko. Danko e Jon Burr também contribuir para Chet algum material original. Chet Baker foi o músico "cool" por excelência, não só musicalmente, sendo um dos "criadores" desse estilo, como também na atitude de calculada indolência que se tornou famosa. Musicalmente, o estilo "cool" era introspectivo e contido, mas também com momentos cheios de ritmos ágeis e solos intensos. Além de ser um mestre do trompete, Chet também gostava de cantar. Sua pequena e frágil voz sussurrada ao microfone tinha um efeito devastador. O jazz perdeu um gigante, mas sua vasta obra permanece, assim como sua influência em gerações de músicos e artistas que vieram depois.
Gravado em 17 e 18 Dezembro 1986 no At Studio 44, Monster, Holland.

Musicos:
Chet Baker - Vocal & Trompete
Harold Danko - Piano
Jon Burr - Baixo Acustico
Ben Riley - Bateria

Faixas:
01 - Swing Shifting
02 - Round Midnight
03 - Caravelle
04 - For All We Know
05 - Blue Moon
06 - My Foolish Heart

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Boa audição - Namastê.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Interlúdio: Making of Kind of Blue 50th Anniversary Collectors Edition


Blue In Green

"Blue in Green" é uma forma circular de dez compassos que se segue a uma introdução de quatro compassos e é tocada pelos solistas com variadas figuras de aumentação e diminuição; (Do texto de contra-capa de Bill Evans)

"Blue in Green" é a discreta miniatura em meio a um álbum de meditações mais extensas, cinco minutos e meio de solos calmos e ondulantes sobre um circulo de acordes. Sua breve estrutura de dez compassos - que rompe com os moldes-padrão de 32 ou 12 compassos para composição de jazz - e o andamento amplificam seu efeito de moto-perpétuo. "Você pode dizer onde a música começa mas não onde acaba... adoro esse suspense. Não apenas soa bem - é "imprevisível", declara, Miles com orgulho. Como o blues estruturado de "Freddie Freeloader", esta música quebra as regras estrita do modalismo. Ela segue um padrão tonal, mas, estruturalmente não ofereçe quase nada além disso. "Blue in Green" se baseia num ambiente plácido e numa sensação de suspensão sem nenhuma melodia evidente e se encaixa legantimente no sentimento geral do álbum.

IT: Só vocês quatro nesta, certo, Miles?
MD: Cinco... Não, por que você não toca?

Mal se ouve o convite de última hora de Davis para que Coltrane tocasse nessa música supostamente pensada para quarteto. Como o álbum original atesta, Julian Adderly (sic) fica de fora em "Blue in Green". Em favor da brevidade e talvez para ressaltar o peso lúgubre do registro mas grave da composição (o estilo exuberante dele por certo seria contrário ao clima lento e sombrio da peça), decidiu-se ter apenas três solistas: trompete, piano e sax tenor. Tambem quase inperceptível (e ininteligível) ao fundo está a voz de Bill Evans pela primeira vez na sessão assumindo o comando e a direção do arranjo de uma composição.

IT: CO62292 - Número 3 - Take 1.

Evans com o acompanhamento de Chambers, dá início ao elemento mais conhecido da peça: a vivaz e agridoce introdução de quatro compassos. A história desses acordes introdutórios nos remete novamente à questão da autoria dessa composição. Evans contou ao escritor Brian Hennessey sobre uma visita que fez ao trompetista no final de 1958. "Certo dia no apartamento de Miles, ele escreveu numpapel as cifras se sol menor e lá aumentando. E falou: "O que você faria com isso?". Eu realmente naõ sabia mas voltei para casa e compus "Blue in Green". Evans naõ foi o primeiro músico a quem Miles desafiou com questões musicais por escrito. Davis transformou isso num hábito, conforme diz David Amram: "Eu estava no (Café) Bohemia co ele tarde da noite, dando uma volta pelo Washingtou Square Park e ele não falava nada havia uns vinte minutos. Então disse: 'Tente isso aqui'. Ele tinha escrito uma espécie de escala, umas cinco notas numa caixa de fósforos. 'Veja o que você consegui fazer com isso'.". A idéia em quatro compassos - um exercício de contínua suspensão tonal - que Evans desenvolveu a partir de dois meros acordes de veio à luz pela primeira vez em 30 de Dezembro de 1958, quando o pianista a incorporou em sua vaga sequência introdutória numa sessão com Chet Baker. Compare a abertura do tema "Alone Together" do álbum Chet, com a de "Blue in Green" como observa Peter Pettinger, biografo de Evans, ouvem-se "exatamente aqueles acordes".
No entanto, a introdução que Evans transportou para a sessão de Kind of Blue seria posteriormente modificada e desenvolvida com a intervenção ativa de Miles, captada enquanto as fitas rodavam. Evans interroga Davis quanto à extensão da introdução, Miles decide dobrar sua duração e em última análise, o crédito de composição parece ser devido à parceria de ambos.

BE: É melhor fazermos de novo... começamos dos últimos quatro compassos?
MD: Dos últimos quatro compasso, e ai você repete.
BE: Ah, faço duas vezes.
MD: Ai ficam oito.
BE: Tudo bem...
(estalar de dedos) IT: Take2.

O take 2 prossegue tranguilamente. Terminanda a introdução, soa o trompete com surdinade Miles enquanto Cobb ataca a caixa com escovinhas. A execução mínima de Evans passa para Chembers a tonalidade da estrutura de "Blue in Green". Mais do que em qualquer outra faixa do álbum, o baixista assume a responsabilidade de delinear tanto a estrutura tonal quanto a rítmica. Sua falta de familiaridade com o tema, porém, torna-se um problema. O take é interrompido quando os acidentes musicais de Evans e Chambers aparentimente não batem e o baixista toca uma nota errada. Miles pede que Cobb aumente a sultileza de execução.

(conversa de estúdio ininteligível)
MD: Com as duas mãos, Jimmy.
COBB: Hein?
MD: É só usar as duas mãoes e fazer omelhor que puder, entendeu?. Vai dar certo.
IT: Ok, número 3.

De novo o take 3 chega ao solo de Miles. Quando Cobb marca duas vezes no prato, Davis pára o take. Novamente Chambers esbarra uma nota e parece ter dificuldade com a forma da música. Evans reconfirm a duração da abertura;

MD: Tente de novo, Billy... um, dois, três.
BE: Vamos fazer com quatro?

A segunda tentativa do take 3 dura cerca de três minutos. A introdução conduz a um toque mais suave de Cobb no prato e um incisivo solo de surdina de Miles. Evans se apresenta com uma passagem ligeiramente vacilante, seguido de Coltrane num solo casual e com leve vibrato. Seu ritmo entrecortado quebra um pouco a textura sonhadora e contínua do tema. Novamente Chambers erra uma nota e o take é interrompido, embora Miles esteja feliz com o modo como a música está evoluindo. Evans verifica se ele e Chambers devem fazer a progressão de acordes em uníssono.

MD: Essa é a idéia.
BE: Ele (Paul) continua fazendo igual amim...

O take 4 avança até o solo de Miles, mas ouve-se um estalido causado possivelmente por um cabo de microfone defeituoso ou alguma conexão solta da mesa de som. O take pára. Mais uma vez Miles passa a marcação do tempo para Evans.

IT: Desculpe, pessoal. é culpa nossa.
MD: Não, não é. Não posso acreditar, não posso.
IT: Teve um pouco de estática aqui... Vão em frente.
BE: É um, é dois....

O take 5 preserva o mesmo estado de espírito e rende a única versão completa de "Blue in Green". A introdução de Evans é leve e arejada como inicialmente concebida, criando um ambiente pacífico para a entrada do grupo. O baixo mantém uma batida sitil com o esforço delicado do trabalho de Cobb com duas escovinhas na caixa. O solo com surdina de Miles chega com uma frase intensamente lânguida de três notas que se torna mais longa e ressonante graças ao eco natural do estúdio (aumentando o volume, o teto abobadado fica quase visível). Davis limita seu vocabulário segurando as notas longamente, dividindo o fraseado em uma série de exposições murmuradas em duas partes. A ordem incomum de palindromo dos solos em "Blue in Green" (trompete-piano-tenor-piano-trompete) acentua ainda mais a sensação circular da composição. Em contraste com a parcimônia de Davis a "dobrada" de Evans (como os músicos se referem à marcação dos acordes com subdivisão) cria uma sensação mais leve e com maior movimento. Mesmo num solo breve, ele exibe um impressionante comando de colorido e realce das vozes na execução harmônica. Coltrane encontra um campo rítmico entre Davis e Evans, tocando deliberadamente em andamento lento. Sua antiga adoração pela leveza arejada de Lester Young é invocada com resultado oportuno em seu solo pensativo e fugaz. Evans reapresenta o tema, construindo sua intensidade com uma última escalada de clusters e permite que a música se dissipa e desapareça gradualmente com uma prolongada nota mantida pelo arco de Chambers. "So What" e "Flamenco Sketches" podem ser louvadas poer sua simplicidade, mas "Blue in Green" - tanto em expressão quanto em construção - é a única composição de Kind of Blue que beira o minimalismo* absoluto. Ainda assim, abrange uma totalidade que maravilha tanto apreciadores quanto outros músicos de jazz.

"Se eu fosse compor uma canção, ela teria dez vezes mais coisas do que essa", observa o vibrafonista Gary Burton que acrescenta: " No entanto (Evans) fez uma música memorável praticamente do nada. Sempre fico impressionado com quem consegue compor uma peça minimal que gruda no seu ouvido e que continua interessante de ouvir várias vezes depois".

A música termina com uma abafada manifestação de reverência vinda da cabine técnica. Miles ainda insatisfeito, parte para uma dura em Chambers por ter segurando a nota final.

IT: Lindo.
MD: Se liga, Paul....
Não-identificado: É isso ai....
IT: Lindo....

* repetição (frequentemente de pequenos trechos, com pequenas variações através de grandes períodos de tempo) ou estaticidade (na forma de tons executados durante um longo tempo); ritmos quase hipnóticos. É frequentemente associada (e inseparável) da composição na música eletrônica ou até mesmo no punk rock.
Fonte: Kind of Blue - A Historia da obra-prima de Miles Davis (Ashley Kahn) pp. 121/125.

Boa leitura - Namastê.



terça-feira, 21 de julho de 2009

Interlúdio: Making of Kind of Blue 50th Anniversary Collectors Edition

So What
(Segunda Parte)


IT: Param
Não-Identificado: Desculpe
IT: Escutem. Vamos prestar atenção, porque se houver barulho durante essa... é tão baixinho que qualquer minimo ruido... MD: (ininteligivel).
IT: Cuidado co a caixa também - estamos captando as vibrações dela.
MD: Bom, isso faz parte.
IT: Como?
MD: Isso faz parte.
IT: Certo (ri) - mas os outros ruídos, não...Take 2.

Duas outras tentativas do take 2 não vão longe. Aprimeira termina quando a execução de Evans está nitidamente atravessada; a segunda é interrompida assim que Miles assobia e Adderlay pede masi orientações.

MD: Começar de novo
CA: Quando os ´sopros...

A fita pára e recomeça.

IT: Vamos lá, Miles. Take 3. (Toca o telefone da cabinetécnica).

Seguem-se duas tentativas malogradas do take 3, com um chiado audível no baixo e um contínuo ruído de fundo. Miles soa meio frustado.

MD: Tira isso. (ininteligível)

Seguem- mais um começo falso.

MD: Tira.

A fita pára e recomença, desta vez evoluindo "sans interruption" por So What, take afora e até o fim. O andamento do prelúdio está mais rápido e ainda assim solto e errante. A última nota do baixo antes do tema ressoa lomgamente no grave, com vibrato acentuado. Então Chambers toma fôlego e dedilha a conhecida frase de abertura. "Essa é outra coisa", observa Hancock. "A melodia aparece no baixo. Quantas pessoas fizeram isso antes?. Tem algumas músicas - 'Jack the Duke', com Duke Ellington). Mas em poucos casos é o baixista que apresenta bem tradicional no uso do padrão de "chamad-e-resposta", comum a tantos números de blues e gospel (evocado "Freddie Freeloade", até certo ponto). O tema percorre com leveza a forma AABB, construíndo gradual e logicamente, seduzindo suavemente o dedilhado nos primeiros quatro compasso, com Cobb marcando de leve no pratode condução. Então, quando o chimbal começa a suingar e metais se unirem no riff "Soooo What". Na terceira passagem, quando a melodia sobe cinco tom, Miles, Coltrane e Cannonball dão um toque de ênfase ao anunciado. A introdução recua meio tom e os metais retornam ao nivel da batida inicial. Se um único momento condesa a força refreada de todo o album, pode muito bem ser o que vem a seguir. "Quando Miles entra e começa seu solo e Cobb vem e marca o prasto na cabeça do compasso", diz Hancock, "não tem pra ninguém". Com a mais precisa noção de tempo, um simples golpe de Cobb no prato impulsiona a música ao máximo vigor, enquanto Miles faz um dos solos mais inesquecíveis da sua carreira - e do idioma do jazz.
Como um sussurro, a execução de Miles se insinua com sua inconfundível e quieta qualidade vocal. Languidamente "falado" em sucintas frases líricas, o solo de Miles, ao longo de seus quase dois munitos de duração, jamais se afasta do registro médio do trompete, notadamente np mesmo registro especial da voz humana.
Para George Russel, o solo é a música. "É um dos solos mais lindos de todos os tempos. Ela é a melodia". Russel estava tão convencido disto que em 1983, escreveu um arranjo do solo em partitura para sua "Living Time Orchestra", de 21 músicos. "Por que não juntar todo mundo, independente do instrumento, para tocar isso como linha melódica?. É só deixar todo mundo se juntar e ser Miles". (Até a conclusão desta livro, o álbum da Blue Note em que a peça aparece, So What. estava fora de catalogo). O solo de Miles em "So What" também ilustrade forma brilhante outros dois aspectos da sonoridade de seu trompete. O primeiro é seu gênio para a simplicidade. Há quase um exagero de economia em seu método, contornando sons prolongados e silêncios para obter um paçpável senso dramático. A outra característica distinta de Miles é a refereda tendêmcia de adiantar o titmo e jogar com as divisões. Ele avança e atrasa a execução, deslocando-se sobre e em meio ao trabalho impulsor de Cobb no chimbal. Sua influência tem claras características vocais. A descrição de Davis de uma de suas cantoras favoritas reflete com exatidão seu próprio comportamento rítmico: "(Billie Holiday) canta atrasado no pulso e ai se solta - e volta na cabeça exata do tempo". Ele acrescentou: "De vez em quando, você tem que quebrar a batida da seção rítmica e isso mantém todo mundo junto". Em contraste à sensação de descolcamento do tempo em Miles, os solos de Coltrane e Cannonbal em "So What" exploram sem cessar um panorama novo, liberto das funções harmônicas. O solo de Coltrane trabalha por partes, impelido a certa altura por uma evolução de acordes com appoggiatura de Evans. A concentração de Coltrane é audível: ocorre uma pausa antes do encadeamento modal e em seguida, uma linha mais fluida e melódica, injetando um ritmo exuberante que contrasta com a ambiente tranquilo que o precedeu. Sua linha lírica é a menos modal entre os solistas, deslizando mas por intervalos cromáticos do que pelos determinados intervalos da escala modal de "So What". Mas, dada a liberdade inerente ao modalismo, trata-se de uma licença criativa fácil de accitar - e que funciona. "Os únicos que estavam realmente tocando conforme aquelas escalas eram Bill Evans, Miles e um pouco Cannonbal ". A sequência de solos de pouca variação ao longo do álbum, torna fácil ouvir, na perfornance de Adderley, referências ao que viera antes; sax alto claramente faz uso do rumo que ouve de seus colegas de sopro. Como o próprio Adrerley disse certa vez: "Escuto o que Miles fez, já que ele sempre toca antes de mim, e depois repito a mesma técnica - talvez n[ao a mesma idéia, mas a mesma técnica e passo a explorá-la à minha maneira". Evans parece hesitar por um momento antes de iniciar seu solo, como se confirmasse que Cannonbal realmente terminou, desenvolvendo delicadamente até os acordes de resposta quando os metais assumen o papel de acompanhadores soprando com leveza o riff "Soooooooooo What". Habilmente ele anuncia a inicio do solo com um cluster repousante e ligeiramente sincopado e dá o seu melhor. Evans é tipicamente discreto em sua primeira inclusão no álbum. De início, suas frases de notas soltas soam hesitantes. Conforme a linha dos sopros prossegue resolutante, ele faz circular a riqueza e as nuances de uma série de acordes, empregando o pedal tonal' do Steinway, que permite s sustentação precisa de notas em um tempo lento - para dar realce ao seu matiz. Apenas ao término do solo ele se permite relevar um forte instinto dramático. "Fico pensando no fim do solo de Bill em "So What", diz Herbie Hancock. "Ele dobra umas frases de acorde com um intervalo de segunda. O que ele toca são segundas maiores". Tocar duas notas juntas - uma sendo apenas um intervalo de segunda, ou um intervalo maior, acima da outra - surpreende pela dissonância. Evans toca uma sequência delas. "Nunca ouvi ningém fazer isso antes. Ele obedece ao critério modal mais do que aqualquer outro, talvez. Isso me abriu toda uma visão".
Um curto solo de Chambers conduz à reexposição do tema principal. Quando os metais saem, a seção rítmica prossegue, com Evans incitando o encerramento com ligeira ênfase e a música termina cheia de arestas. O público não ouviu esse final: para o álbum lançado, adotou-se uma suave "fade out". Imediatamente os músicos se dispersam da posição de performance, empolgados depois de um take magistral. Cannonball dissolve qualquer estado melancólico que a música possa ter exercido, com seu humor frívolo e uma letra de Rodgers e Hart, enquanto a frase do baixo de "So What" é vocalizada por outro menbro da banda.

CA: (cantando) With a Soong in my Heart
Não-Identificado: Dinga-dinga-dinga-doogong.....

Fonte: Kind of Blue - A Historia da obra-prima de Miles Davis (Ashley Kahn) pp. 116/121.

Boa leitura - Namastê.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Interlúdio: Making of Kind of Blue 50th Anniversary Collectors Edition


So What
(Primeira Parte)


"So What' tem uma figura simples baseada em 1 compasso de uma escala, 8 de outra e mais 8 da primeira, que segue uma introdução de piano e baixo num estilo rítmico livre. (Do texto de contracapa de Bill Evans)

IT: Vamos lá.
MD: Espera um momento.
IT: CO 62291, Take 1
MD: Espera um momento
Não-Identificado: Um minutinho....

"So What" é de longe o tema de Kind of Blue mais conhecido e o que mais recebeu covers. Para muitos ouvintes um dá nome ao outro. Quando músicos e fás falam de uma suposta faixa-titulo de Kind of Blue, invariavelmente estão se referindo a "So What".
A popularidade definitiva da música se explica, ao menos em parte, por seu memorável tema de abertura (na seguência do prelúndio dos sonhos). Trata-se simpliesmente da melodia mais identificável e memorável de todo o albúm, uma frase lírica tão solta, natural e gingada quando um assobio de fim de tarde de um transeute. "So What", embora formalmente estruturada sobre um grupo simples de escalas, exibe transpârencia de composição; soa mais natural e improvisada do que escrita, propriamente. A oscilação entre intenção e processo apenas favorece seu fascinio permanete. Miles se lembrava de ter extraido inspiração melódica e emoção de duas fontes bem especificas: o folclore africano e o gospel americano.O primeiro veio de uma trupe de dança da Guiné apresentada a ele por sua namorada Frances Taylor. "Fomos a uma apresentação do Ballet Africaine...O ritmo deles!...Eles faziam ritmos em 5/4 e 6/8 com 4/4, eo ritmo se alternava e irrompia". A trupe tambem destacava um músico de calimba que fazia umas escalas africanas diferentes enquanto tocava. "Quando ouvi essa trupe pela primeira vez tocando o piano de dedo naquela noite, cantando uma música enquanto outro dançava, cara, foi uma coisa poserosa".

A música de igreja veio de uma lembraça marcante das visitas à fazenda de seu avô na infância:
"Acrescentei outro tipo de som que eu me lembrava do Arkansas, quando voltavamos da igreja para casa e eles estavam tocando aqueles gospels incriveis. Esse sentimento foi o que tentei recuperar...Eu, com 6 anos, caminhando com meu primo por aquela estrada escura do Arkansas".

Miles temperou seu coquital musical com uma dose de música erudita modertna, como Ravel e Rachmaninoff ("tudo misturando em algum ponto"), mas percebeu que o resultado final não correspondia ao que imaginava originalmente.

"Quando escreve uma coisa e então algém toca aquilo e leva tudo para outra diração por sua criatividade e imaginação e você acaba perdendo o rumo de onde achava que estava indo... Não consegui a correspondência exata do som do "piano de dedo" africano...mas isso era o que eu estava tentando fazer em grande parte do albúm, especialmente em "All Blues" e "So What"".

A outra característica marcante do tema - que seria o primeiro do albúm - é seu prelúndio divagante, tocado em rubato ( ou seja, deslocado no tempo em relação à estrutura predominante da música), atmosférico e carregado de expectativa. "Em So What, a introdução foi composta com uma única frase e Paul e eu a tocamos acrescentando alguma harmonia", relembrou Evans. Quando teria escrito esse prelúndio memorável? Não parece ter sido Bill Evans, que, embora irredutível quanto ao crédito que lhe foi negadao em "Blue in Green", jamais reivindicou autoria de qualquer tipo em "So What", e cujas palavras sugerem que ele ja recebeu a música pré-pronta. Todos os sinais aponta ou para Miles Davis ou para Gil Evans. Nessa época, Gil foi visto com frequência compondo informal porém intensamente em parceria com Davis, e seria Gil quem rearranjaria o prelúndio para uma apresentação de TV um mês depois e para uma orquestra de 21 músicos que executou "So What" no histórico concerto de Miles no Canergic Hall, em 1961. A controvérsa sobre o prelúndio ser criação de Gil é incitada pela viíva, Anita Evans, que se lembra de ouvir do marido que ele havia composto o trecho. Cobb, quando questionado, se posiciona claramente: "Cara, isso soa como coisa do Gil".

Com Bill Evans agora ao piano e Kelly ao que tudo indica, permanecendo para ouvir (muitos músicos visitas ficaram pelo estúdio durante as gravações de jazz, fosse para assistir ou incentivar), as fitas começaram a rodar e captar o arco de Chambers fazendo o tema de "So What". Instantaneamente impregnante, ele é cantarolado porouto músico, enquanto o sexteto se prepara para gravar aquela que virá a ser a faixa inicial do álbum.

IT: Número 2, Take 1.

Evans e Chambers passam a música juntos, firmando a etéria introdução de baixo e piano. Herbie Hancock descreve o feito rubato: "Simplismente parecia que Miles tinha dado (a Chambers) instrução para tocar essa introdução (prelúndio) fora do tempo, do modo a ficar uma espécie de flutuação". A falta de uma resolução rítmica - não se sabe onde é o acento do compasso pelo primeiro meio minuto da música - confere ao tema uma sensação suspesa e misteriosa.

Com a microfonagem do baixo nitidamente melhor depois de "Freddie Freeloader" - provavelmente, bastou reposicionar Chambers - , o tranquilo prelúndio prosseguie, embora os passos de um dos músicos sejam ouvidos no estúdio.

IT: Comecem de novo, por favor.

Pode-se ouvir Evans e Chambers, sem qualquer instrução especifica, "sentido" como é a música. Oprelúndio ainda parece levemente fora de sincronia, especialmente quando piano e baixo devem evoluir juntos por uma linha melódica de blues. Quando os metais entram tocando o tema de "So What" num andamneto ligeiramente mais lento que o final, pode-se ouvir um farfalhar de papel. Townsend começa a reclamar do barulho de fundo no estúdio. Davis zomba do produtor, mas com razão. Afinal que quaisquer vibrações em ressonânciacom outros instruentos - no caso a caixa da bateria ce Cobb, que vibrava - deveriam ser consideradas partes da música.

Fonte: Kind of Blue - A Historia da obra-prima de Miles Davis (Ashley Kahn) pp. 114/116.

Boa leitura - Namastê.


Verve Recording Session

Herbie Hancock & Chick Corea, Verve Recording Session - New York, 1998
Fotografado por: Jimmy Katz

Ornette Coleman (1930- )

Ornette Coleman, em sua casa - New York, 2005
Fotografado por: Jimmy Katz

Theodore Walter "Sonny" Rollins (1930- )

Sonny Rollins. Agosto de 1972
Fotografado por - AP IMAGES

Wynton Learson Marsalis (1961-)

Wynton Marsalis,Time Warner Building , New York - 2003
Fotografado por: Jimmy Katz

John William Coltrane (1926-1967)

Bob Thiele e John Coltrane, durante as gravações
de John Coltrane & Johnny Hartman - 1963
Fotografado por: Joe Alper

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Interlúdio: Making of Kind of Blue 50th Anniversary Collectors Edition

Freddie Freeloader
(Segunda Parte)

"Freddie" é como a maioria dos músicos se recorda de Fred Tolbert, aquele que deu inspiração ao tema blues gravado na primeira sessão de Kind of Blue. Freddie era um pitoresco personagem das ruas que trabalhava como barman num bar da Filadélfia chamado "The Nightlife" e sobrevivia de esmolas. Um estilo de vida que ele mais tarde admitiria abertamente em seu cartão de visita, no qual se lia simplismente: "Freddie The Freeloader" (Freddie, o parasita). Freddie ficou amigo de Mlies durante o auge do sexteto, tornando-se um asiduo chupim e um garoto de recado do trompetista.
Como Cobb relembra:
"Freddie era da Filadélfia e vivia imitando o jeito de falar de Miles. Ele trabalhava num bar perto do Showboat onde a gente tocava no térreo do hotel. Então, ele decidiu vir pra Nova York e andar com Miles e ai ele aparecia em todos os shows em que a gente tocava. Se estivessemos em Nova York, lá estava ele". "Freddie era maluco - um maluco inofensivo". Recorda Frances Taylor, ex-mulher de Miles. "Ele estava sempre meio que por parto".
Herbie Hancock se lembra de Freddie do começo dos anos 60.
"Eu soube do Freddie Freeloader primeiro pela música de Kind of Blue e depois quando eu estava em Nova York. Freddie era um malandro das ruas e Miles sempre se sentiu ataído por gente que tinha miolos e um esquema interessante para viver. Todos os músicos de Nova York o conheciam de um jeito ou de outro, ele era simplismente mais um cara na área, sabe?". Em 1979, Freddie, algo embriagado, apresentou à emissora WKCR de Nova York, numa historia alternativa sobre Kind of Blue:
"Uma vez encontrei o Cannonball (quando) Miles estava trabalhando no Showboat. O carro dele tinha quebrado e ai eu levei ele até o Bem Franklin Hoetl na 9ª com a Walnut - no centro - para ele pegar dinheiro para consertar o carro, e ai Miles me contratou. Então ele me trouxe para Nova York na sua Mercedes esportiva, e eu continuei com ele...Eu estava na sessão quando eles fizeram "So What". Eu cantarolei "So What" para ele junto com Bill. Foi ai que eu contratei o Wynton e despachei o Bill. Wynton tinha alma. Pois é, eu também sou uma lenda..."
Nesta entrevista, Tolbert (Freddie) mencionou o uso frequente que Miles fazia da expressão de desprezo que daria à faixa mais conhecida de Kind of Blue:
"Miles é uma pessoa maravilhosa - se ele gosta de você, ele gosta de você. Mas você tem que pegá-lo num momento bom. Porque senão ele vai dizer: "Sai da minha frente, não quero nem saber". E depois..."Soooo What!!!!!" (E Dai????)".
Fonte: Kind of Blue - A Historia da obra-prima de Miles Davis (Ashley Kahn) pp. 107.

Boa leitura - Namastê.